Existe uma diferença enorme entre a pessoa que vejo no espelho e a pessoa que imagino que sou. Nem para o bem nem para o mal, dificilmente consigo me olhar com honestidade, objetividade. Verdade seja dita, sempre confundo a real imagem com a de personagens que vivem na minha cabeça.
Alguns dias sinto minha pele quase se separando do resto do meu corpo. Como se estivesse deteriorando rapidamente. Minhas costas curvadas, meu queixo baixo. Vejo minhas formas estranhamente deformadas. Uma velhinha muito parecida com a bruxa que entrega a maçã envenenada para a Branca de Neve - um serzinho que sempre me assustou quando era criança.
Quando tenho acessos de fúria sinto como se virasse um ser detestável visualmente. Com uma boca incontrolável. A personificação do descontrole é tão forte que chego a me encolher quando lembro do momento de raiva e me vejo nessa forma odiosa.
Em outros momentos, os de solidão ou de tristeza, tenho a impressão de não ser corpo. De não ser pessoa, de não ser presença, mas sim névoa. Algo branco, enfumaçado, perdido e sem sentido.
Quando amo, sou pequena e terna. O suficiente para me aconchegar e caber nos espaços mornos do corpo do outro. Sou quase criança.
Alguns dias sou velha, outros sou jovem, outros sou indefinida. Nunca a pessoa do espelho.
Pela herança deixada na minha imaginação por filmes, músicas, livros, desenhos, quadros, histórias, acho que o meu cérebro não admite que nenhuma mudança visual aconteça quando vivo extremos. Não se conforma por não conseguir exteriorizar a enorme excitação interna que toma conta de tudo quando algo é marcante em minha vida.
Talvez por isso a palavra seja tão importante. A voz que consegue tirar de dentro todo o lixo, toda a beleza, toda a mediocridade que algumas vezes confundo com profundas conclusões. Nem sempre é possível fazer com que entendam a imagem, mas as palavras tentam tornar real algo que é apenas uma sensação. Eu mesma posso, através delas, perceber a dimensão verdadeira do que sinto. E geralmente o efeito é bem mais suave do que imaginava.
terça-feira, 2 de junho de 2009
quinta-feira, 14 de maio de 2009
Spam
Dentre todo o lixo eletrônico que eu recebo diariamente, sempre oferecendo coisas que estão longe de me interessar, hoje um deles ganhou o prêmio de originalidade:
Você anda desconfiando da fidelidade de seu/sua parceiro(a)?Não quer contratar um detetive particular?Conheça o curso que preparamos para que você mesmo possa investigar.Isso mesmo! SEJA VOCÊ O DETETIVE! Com este kit você saberá de tudo! Não fique na dúvida, adquira agora mesmo!
Tá, acho que eu me divertia mais quando recebia ofertas de equipamentos prometendo aumentar partes do corpo que eu não tenho.
Você anda desconfiando da fidelidade de seu/sua parceiro(a)?Não quer contratar um detetive particular?Conheça o curso que preparamos para que você mesmo possa investigar.Isso mesmo! SEJA VOCÊ O DETETIVE! Com este kit você saberá de tudo! Não fique na dúvida, adquira agora mesmo!
Tá, acho que eu me divertia mais quando recebia ofertas de equipamentos prometendo aumentar partes do corpo que eu não tenho.
quarta-feira, 13 de maio de 2009
Difícil
Pitty posando de pin up é duro de engolir. As imagens são risíveis. Para quem tem interesse em rir um pouco ou algum fetiche com essa criatura http://www.mtv.com.br/pittysensual.
Pobre Dita, pobre Bettie Page...
Pobre Dita, pobre Bettie Page...
A cada dia que passa fico mais e mais convencida de que o mundo em algum momento vai me enxotar. Não gosto de dirigir, não tenho a menor vontade de ter um carro, não quero fazer nenhum contato empresarial, detesto a idéia de que tudo tem de ser perfeito, moderno, adequado, higienizado e planejado. Nada me interessa menos do que a última novela, não quero gesso no meu teto nem mesa de centro na minha sala. Adoro galpões, botecos de bairro, sinuca e andar de metrô.
Embora dividida, gosto de ter parado de trabalhar para cuidar um pouco do meu filho e, com o perdão da palavra, foda-se quem acha que para ser independente é necessário ganhar dinheiro. Independência vem da inteligência e não da conta bancária. Defendo as mulheres que trabalham porque essa é a opção delas. E foda-se quem discorda, mas em algum momento vou sustentar a casa para o meu marido ter o direito de fazer o mesmo ou de ser um completo "inútil". E se for necessário, trabalharemos os dois. E é isso.
E só para constar, prefiro ir a um cinema ou a um parque do que ter onde estacionar um carro.
Embora dividida, gosto de ter parado de trabalhar para cuidar um pouco do meu filho e, com o perdão da palavra, foda-se quem acha que para ser independente é necessário ganhar dinheiro. Independência vem da inteligência e não da conta bancária. Defendo as mulheres que trabalham porque essa é a opção delas. E foda-se quem discorda, mas em algum momento vou sustentar a casa para o meu marido ter o direito de fazer o mesmo ou de ser um completo "inútil". E se for necessário, trabalharemos os dois. E é isso.
E só para constar, prefiro ir a um cinema ou a um parque do que ter onde estacionar um carro.
Desmontaram o Parque Alvorada e demoliram o Cine Plaza para construir uma igreja. Faz sentido. Afinal o mundo precisa de mais estacionamentos para os milhões de carros desnecessários. Necessitamos de novos púlpitos para os profetas que pipocam aos montes. Quem precisa de fantasia em uma realidade tão encantadora quanto a nossa? Quem precisa de filmes e diversão quando as pessoas estão inteligentes, perspicazes, humanas... Certo?
Assinar:
Postagens (Atom)
